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Querido Diário

 

 

Quando eu vou entender o que as pessoas querem de mim?
E quando eu vou entender o que eu quero delas?
Querem que eu entenda o seu ponto de vista delas, mas na maioria das vezes não é o ponto de vista que tenho das coisas.

Elas querem que eu viva sorrindo mesmo quando quero chorar, elas não ligam, querem meu sorriso e pronto.
Elas querem que eu as veja fazer coisas erradas e aplauda, porque quando falo que está errado sou advertida.
Elas querem que eu entenda o ar de superioridade quando no final vamos todos virar adubo, igual bosta de vaca.
Eu não consigo entender, eu juro que não consigo.
Sei que as pessoas mudam, elas sempre mudam, o problema é que é sempre para a pior, nunca para melhor, NUNCA!
Será que é comigo?
Será que eu que estou mudando tanto que estou achando que os outros estão indo para o caminho errado?
Todos mentem, mas vale perder tudo de belo por uma mentira?
Uma mentirinha boba.

Ah!
Como eu queria ter quatro anos de novo, mas quatro anos em 1994, porque agora até as crianças estão no ciclo da mentira feia e da superioridade.
Elas já tem malícia, elas sabem de coisas que eu só fiquei sabendo quando tinha 10 anos!

Ah!
Como eu queria que a amizade não se desgastasse.
Como eu queria que as pessoas não mudassem com os antigos amigos.

Ah Diário, como é difícil saber o que as pessoas querem.
Como é difícil entende-las.
Como é difícil dizer o que eu penso e o que eu sinto sem magoá-las.

Ah Diário, eu queria tanto entender.

Eu sei que pessoas mudam, mas não é  justo elas mudarem com pessoas que as tratam da mesma maneira.
Não é justo elas mentirem.
Não é justo elas acharem que são melhores que as outras pessoas.
Não é justo se vangloriarem por terem feito algo diferente, se a idéia foi do outro. Ele só fez primeiro.

Ah Diário, quando eu vou entender o que eles querem de mim?
Sorriso?
compreensão?
Mas porque se está tudo errado?

 

 






Thailla Paixão – 2008