
Lembro de quando era adolescente e me perguntavam porque eu andava de preto e escutava músicas que não se entendia a letra, eu dizia porque Sim! Conforme fui crescendo os porquês foram aumentando e ficando cada vez mais complexos, pois eu realmente tinha que achar a resposta desses porquês para saber que caminho seguir.
Quando terminei o ensino médio era “Por que não foi direto para a faculdade?” Simples, eu não sabia o que fazer, sempre quis ser advogada, mas percebi que essa profissão requer um pouco de paciência e sangue frio e sinceramente não conseguiria ser assim com matadores, estupradores e gente de má índole no caso de direito trabalhista.
Então o porque mudou “Já que não vai fazer faculdade agora porquê não casa? Porque não tem filhos?” Mais simples ainda, porque não tenho onde morar, não quero pagar aluguel e se eu tenho a opção de escolher, melhor ainda! Os filhos estão no mesmo pacote. Ainda não era o tempo e quando acontecer quero tentar dar o melhor, viver e não sobreviver.
Então porque não corta o cabelo?
Por que não volta para ele se ficaram tanto tempo juntos?
Por que não muda de emprego?
Por que não pula da ponte? Por que? Por que e por que?
E depois de muito tempo querendo responder pra mim mesma tantas perguntas que eu realmente levava em conta e achando apenas algumas respostas, no primeiro período da faculdade, na primeira aula, o professor perguntou porque escolhi farmácia. Não podia simplesmente dizer porqu
e sim, na hora tive que responder, mas essa é uma pergunta que sempre me faço, já estou caminhando para o sexto período e nunca tinha parado para pensar no porque, nunca tinha parado para responder essa pergunta para mim mesma! Eu estava ali, mas por quê?
Desde de que me entendo por gente ouvi a palavra farmacêutico porque meu pai sempre trabalhou em farmácia, ele foi entregador, balconista, gerente e hoje graças a Deus é dono de sua própria drogaria, mas ele nunca se formou oficialmente mesmo que sua experiencia seja muito vasta e muito melhor que a minha quando sair da faculdade, ele aprendeu na pratica e eu por enquanto só vejo nas teorias. Mas não foi por causa do meu pai que escolhi essa profissão, bem pelo contrário, me irritava quando as pessoas diziam que eu TINHA que ser farmacêutica porque meu “pai era” eu fugi com todas as minhas forças disso mesmo trabalhando em drogaria por alguns anos.
Mas ter a oportunidade de conhecer profissionais da área que me diziam na real como era o trabalho e o que um farmacêutico fazia, começou a me encantar. Eu observava como as pessoas confiavam no que um farmacêutico dizia e como elas se sentiam aliviadas só do farmacêutico está ali, como elas sorriam mesmo doentes pelo fato do farmacêutico explicar qual a posologia do medicamento só para o paciente fixar o que o medico já tinha dito . Eu queria ser aquele porto seguro para alguém também, eu queria aprender aquilo, queria poder dizer como o medicamento age no organismo da pessoa sem muito termo técnico para que ela não fique assustada. Eu queira ajudar a salvar vidas também e ser útil para algo bom que me faria ficar bem assim que visse outras pessoas bem também.
Entrei na faculdade só pensando em ajudar e depois da minha escolha conheci outros profissionais que me chamaram de louca na primeira reação, mas depois com os olhos brilhantes começaram a me dar dicas preciosas em relação a tudo, me falaram os pros e os contras dessa profissão que é muito importante e tão pouco valorizada no Brasil. Cada matéria de cada período é uma nova descoberta que me faz querer aprender mais e mais. E finalmente eu comecei a responder os porquês certos, os porquês que eu queria ouvir, que eu queria saber a resposta!
Ser farmacêutico é difícil e isso já começa na faculdade, é a segunda mais difícil que existe e por isso eu já pensei em desistir quando reprovei TODAS as matérias do período, mas como seria depois? Eu só ia conseguir dizer para mim mesma FRACASSADA. E como seria depois? Sem a química, sem as analises orgânicas sem a farmácia. Como seria passar a vida sem ter a sensação de poder ajudar? Eu não seria mais quem eu quero ser e perderia uma parte da Thailla.
Eu amo ser estudante de farmácia e vou amar mais ainda quando puder exercer a minha profissão e escolher entre 72 maneiras diferentes de fazer isso! Porque escolhi a farmácia?
É fácil dizer, mas é difícil explicar. Escolhi a farmácia por amor, apenas por amor. Uma profissão que foi me encantando e envolvendo e quando percebi já não conseguia me imaginar fazendo outra coisa. Temos um relacionamento um pouco conturbado porque ela exige muito de mim, mas sei no final vou colher todos os frutos que ela pode me trazer.
Farmácia, amor sem remédio. ❤

Thailla Paixão – 2015